sexta-feira, 18 de dezembro de 2009

A alegria dos inocentes

A celebração da Natividade de Nosso Senhor Jesus Cristo é talvez a festa litúrgica mais popular na maioria dos países cristãos, embora, de si, a Páscoa da Ressurreição seja mais importante.

Apesar da decadência do espírito religioso, ainda em nossos dias a voz da graça continua a convidar a humanidade a adorar Aquele que, sendo Deus, se fez homem para nos redimir.

Para um católico, naturalmente o ponto culminante da festa de Natal é a “Missa do Galo”, que na liturgia tradicional celebra-se à meia-noite.

Noite de gala para a qual todos se preparam com esmero: a liturgia usa os melhores paramentos, o coro prepara os mais belos cânticos, os assistentes colocam suas melhores roupas, as donas-de-casa e as cozinheiras preparam os melhores pratos, os ambientes são decorados com carinho.

Mas a graça natalina suscitou igualmente toda uma cultura própria: a ceia, São Nicolau, o presépio, a árvore de Natal, os presentes, os bolos e pães especiais para a ocasião, as guloseimas, as visitas, os contos, as feiras de Natal durante o Advento, os concertos musicais natalinos, os cânticos populares, as famílias que se reúnem... tudo isso faz parte de um universo encantador que agrada especialmente às crianças.

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As crianças, sim, porque representam a inocência, e a festa de Natal é a festa do Inocente por excelência, que foi o Cordeiro de Deus, capaz de restaurar todas as inocências perdidas.
O ambiente de Natal tinha então algo de maravilhoso, de evocativo de um mundo ideal: as luzes, as harmonias dos corais ou do órgão, as cores dos enfeites do pinheiro, os perfumes das flores, as comidas e bebidas servidas na ceia, os doces, os brinquedos...

Mesmo nos lares mais simples e pobres, algo desse maravilhoso penetrava, pois na realidade ele depende mais de uma disposição de alma, de uma atitude interior, do que dos próprios objetos.

A criança tem a capacidade de maravilhar-se com as menores coisas: um pedaço de cabo de vassoura pode transformar-se no mais belo e ágil corcel... Não será por isso que Nosso Senhor disse: “Quem não receber o reino do céu como uma criancinha, não entrará nele” (Mc 10, 15)? Ou seja, a inocência de alma não deveria ser privilégio das crianças, mas deveria continuar a iluminar a mente madura do adulto.

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Embora todo cristão deva adorar a Deus em todas as suas manifestações terrenas, a psicologia dos povos revela que alguns são especialmente mais tocados por este ou aquele aspecto da vida de Nosso Senhor. Assim, o espanhol e o português votam particular devoção à Paixão de Cristo, embora com diferentes matizes.

Outros encontram maior fonte de piedade ao contemplar a Páscoa da Ressurreição, como os povos eslavos. E há os “natalinos” por excelência, como são os povos germânicos.

A lembrança da Redenção se acha na origem da maioria das tradições natalinas, embora já esteja se apagando da memória dos povos.

É o caso da tradição da árvore de Natal, presente um pouco por toda parte, mas especialmente cultivada na Alsácia, região que pertenceu ao Sacro Império Romano-Germânico, e que hoje faz parte da França. “Onde há uma família alsaciana, lá está a árvore de Natal”, reza um ditado francês.

Qual é a simbologia do pinheiro de Natal?

Ao menos na Alsácia, ele representa a árvore do paraíso. Por isso nele se penduram maçãs vermelhas, para lembrar o fruto proibido que levou Eva e Adão ao pecado. Nele se colocavam botões de rosa de papel colorido, que significavam o amor de Deus pelos homens e a esperança destes em uma nova vida.

Depois se acrescentaram velas para lembrar o Lumen Christi, a luz de Cristo que veio iluminar as trevas do mundo pagão. Mais tarde foram-se juntando outros ornamentos menos simbólicos, como guirlandas, fios dourados ou prateados, enquanto bolas coloridas tomaram o lugar das maçãs. Ao pé da árvore colocam-se chocolates, guloseimas, presentes e cartões de Natal destinados aos membros da família.

Tudo isso produz uma verdadeira alegria, própria ao Natal, diferente da alegria da Páscoa. Marcada pela tragédia da Paixão e Morte de Cristo na Cruz, o júbilo pascal tem o sabor do triunfo do Filho de Deus sobre o mal e o pecado.

A Natividade de Jesus, porém, produz alegrias suaves como a luz da estrela que guiou os magos do Oriente, ou como os afagos sublimes com os quais Maria Santíssima envolveu o Menino Jesus.

Suplicamos a Ela, Medianeira de todas as graças, que alcance de seu Divino Filho essa alegria de alma para todos os leitores.


Fonte: Catolicismo

Natal: cada vez que dele nos aproximamos, experimentamos por vezes a sensação paradoxal de que progressivamente dele nos distanciamos

A cada Natal de que nos aproximamos, experimentamos por vezes a sensação paradoxal de que progressivamente dele nos distanciamos ...

Isso porque, de algum tempo a esta parte, o espírito natalino vai desaparecendo do mundo moderno, imerso no culto das coisas materiais, enquanto a proclamação angélica “glória a Deus no mais alto dos Céus e paz na Terra aos homens de boa vontade” vai se tornando um ideal cada vez mais etéreo.

Hoje, só o que importa para muita gente é desfrutar a paz a todo custo, ainda que em detrimento dos princípios mais sagrados: o dinheiro, de qualquer modo e ainda que este seja escuso; e a saúde acima de tudo, gerando cuidados como o do nível de colesterol, amiúde maiores que a preocupação com o destino eterno da própria alma.

Em suma, o conhecimento, o amor e o serviço de Deus, razão de nossa existência, foram substituídos por dois ídolos desta era de falsa paz: bios e mamon (saúde e dinheiro).

Infelizmente, levados consciente ou inconscientemente pelo multissecular processo revolucionário que corrói a Cristandade desde o século XV, a generalidade dos homens participa em grau maior ou menor desse estado de espírito.

O que os leva a vegetar na “austera, apagada e vil tristeza”, de que falava Camões, em vez de arremeter, como filhos de Deus, às alturas do firmamento, das coisas mais elevadas, do sobrenatural, da contemplação e da ação dele decorrentes. Tal é a principal razão do atoleiro moral em que se encontra a humanidade, do qual ela nem sequer tem meios de sair, se não levantar as vistas.

Por Paulo Corrêa de Brito

Fonte: Catolicismo

A tradição familiar da Árvore de Natal

A tradição familiar da Árvore de Natal


A foto no alto é da pintura de Franz Streussenberger (1806 – 1879). Representa a primeira Árvore de Natal na cidade austríaca de Ried, concebida e ornada, em 1840, no lar da família Rapolter.

Depois do Presépio, a Árvore de Natal é o símbolo mais expressivo da época natalina — sobretudo em tempos passados, nos quais o aspecto comercial do Natal não era tão protuberante e agressivo.

No século XIX, a Árvore de Natal — também conhecida em alguns países europeus como a “Árvore de Cristo” — espalhou-se pelo mundo inteiro como símbolo da alegria própria ao Natal para se festejar o nascimento do Divino Infante.

Mas muitos séculos antes, consta que no período medieval, corria uma história muito bonita narrando que, na noite bendita do nascimento do Menino Jesus, muitas árvores floriam em pleno inverno em paisagens cobertas pela neve...

(Texto integral no Blog da Família)

sexta-feira, 11 de dezembro de 2009

Nossa Senhora de Guadalupe

- A primeira aparição (9 de dezembro de 1531, pela manhã)


Dez anos depois da conquista do México, no dia 9 de dezembro de 1531, Juan Diego ia para o Convento de Tlaltelolco, participar da missa e aprender o catecismo.

Ao amanhecer chegou ao pé da colina de Tepeyac, de repente ouviu uma música perfeita que parecia o gorjeio de milhares de pássaros. Muito surpreso, parou, dirigiu o seu olhar para cima da colina e viu que ela estava iluminada com uma luz estranha. A música parou e em seguida ele ouviu uma doce voz que vinha do alto da colina, chamando-o:

"Juanito, querido Juan Dieguito, aonde vai?"

Juan subiu apressadamente a colina e chegando ao topo viu a Santíssima Virgem Maria em meio a um arco-íres, com um esplendor celestial. Sua beleza e olhar bondoso inundaram seu coração de alegria infinita enquanto ouvia as ternas palavras que ela lhe dirigia.

"Saiba e entenda, você é o mais humilde dos meus filhos, Eu, a Sempre Virgem Maria, Mãe do Deus Vivo por quem nós vivemos, do Criador de todas as coisas, Senhor do céu e da terra. Eu desejo que um templo seja construído aqui, rapidamente; então, Eu poderei mostrar todo o meu amor, compaixão, socorro e proteção, porque Eu sou vossa piedosa Mãe e de todos os habitantes desta terra e de todos os outros que me amam, invocam e confiam em mim. Ouço todos os seus lamentos e remédio todas as suas misérias, aflições e dores".

Ela falou-lhe em Asteca. Disse-lhe que era a Imaculada Virgem Maria, Mãe do verdadeiro Deus. Revelou-lhe como desejava profundamente a construção de um templo, na planície, onde como Mãe Piedosa, mostraria todo seu amor e misericórdia, a ele e a todos os seus e a quantos solicitarem seu amparo.

"E para realizar esta tão maravilhosa obra, irás a casa do Sr. Bispo do México, e lhe dirás que te envio, para manifestar o que muito desejo, que ali naquela planície se edifique um templo. Lhe contarás tudo o que viu, admirou e ouviu. Estejas seguro de que estarei muito agradecida por todo trabalho e fadiga que terás neste empreendimento, e lhe recompensarei muito bem, porque te farei muito feliz. Já ouviu tudo o que desejo, menor de todos os meus filhinhos; vai e põem todo o seu esforço neste trabalho".

Juan se inclinou diante dela e disse: "Minha senhora eu vou cumprir tudo o que me foi pedido, me despeço de Ti, eu que sou teu servo mais humilde".

Quando Juan chegou na casa do Sr. Bispo D. Juan Zumárraga, foi conduzido até sua presença, e lhe contou tudo o que Maria Mãe de Deus havia lhe dito.

No entanto o Sr. Arcebispo não parecia acreditar em suas palavras, pedindo que volta-se outro dia para que eles conversassem com mais tempo.

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- A segunda aparição (mesmo dia 9 de dezembro de 1531, pela tarde)



Neste mesmo dia Juan Diego regressou ao cume da colina e encontrou a Santíssima Virgem, que estava esperando-o. Com lágrimas de tristeza ele contou-lhe como havia fracassado em sua missão.

J.D.: "Senhora, eu fui onde você mandou para levar Sua mensagem, como me havia instruído. Ele recebeu-me benevolentemente e ouviu-me atentamente, mas quando respondeu, pareceu-me não acreditar. Ele disse: "Volte depois, meu filho e eu o ouvirei com muito prazer. Examinarei o desejo que você trouxe, da parte da Senhora". Entendo pelo seu modo de falar, que não acredita em mim e que seja invenção da minha parte, o Seu desejo de construção de um templo neste lugar para Você. E que isso não é Sua ordem. Por isso eu, encarecidamente lhe peço, Senhora e minha Criança, que instrua a alguém mais importante, bem conhecido, respeitado e estimado para que acreditem. Porque eu não sou ninguém, sou um barbantinho, uma escadinha de mão, o fim da cauda, uma folha. E você, minha Criança, a minha filhinha caçula, minha Senhora, envia-me a um lugar onde eu nunca estive! Por favor, perdoe o grande pesar e aborrecimento causado, minha Senhora e meu Tudo."

Ela então lhe pediu que voltasse a visitar o Sr. Arcebispo no dia seguinte.

V.G.: "Escuta, meu filho caçula, você deve entender que eu tenho vários servos e mensageiros, aos quais Eu posso encarregar de levar a mensagem e executarem o meu desejo, mas eu quero que você mesmo o faça. Eu fervorosamente imploro, meu caçula, e com severidade Eu ordeno que volte novamente amanhã ao Bispo. Você vai em meu Nome e faça saber meu desejo: que ele inicie a construção do templo como Eu pedi. E novamente diga que Eu, pessoalmente, a Sempre Virgem Maria, Mãe de Deus Vivo, lhe ordenei."

Juan Diego cumpriu com o que lhe foi pedido pela Santíssima Virgem.

No dia seguinte conseguiu ver o bispo, depois de muito trabalho, ele lhe contou absolutamente tudo. O bispo lhe fez muitas perguntas.

O Sr. Bispo lhe pareceu conveniente pedir uma prova que confirmasse tudo aquilo.

Também mandou uns servidores para que seguissem ao índio, mas quando se dirigiam novamente ao cerro do Tepeyac, lhe perderam de vista!

Eles ficaram bem chateados e disseram ao bispo que tinham sido enganados por Juan Diego. O bispo tinha uma razão mais para não acreditar.

Eles, então, decidiram castigar o índio se ele voltasse a aparecer.

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- A terceira aparição (10 de dezembro pela tarde)



Ao índio novamente a Virgem Maria de Guadalupe apareceu. Ele a contou o que tinha conversado com o Bispo. E Ela prometeu-lhe que daria um sinal na manhã seguinte.

V.G.: "Muito bem, meu queridinho, você retornará aqui amanhã, então levará ao Bispo o sinal por ele pedido. Com isso ele irá acreditar em você, e a este respeito, ele não mais duvidará nem desconfiará de você, e sabe, meu queridinho, Eu o recompensarei pelo seu cuidado, esforço e fadiga gastos em Meu favor. Vá agora. Espero você aqui amanhã".

Mas Juan não voltou!

Não pode cumprir este encargo, pois seu tio, chamado Juan Bernardino, estava gravemente enfermo quando ele chegou à sua casa.

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- A quarta aparição (terça-feira, 12 de dezembro de 1531, pela madrugada)



Dois dias depois, aos 12 de dezembro, Juan Bernardino estava agonizante, e Juan Diego tratou logo de conseguir um sacerdote em Tlaltelolco.

Chegou a ladeira da colina e optou por ir pelo lado oriente para evitar que a Virgem Santíssima o visse passar. Primeiro queria atender a seu tio.

Com grande surpresa a viu descer da colina e vir a seu encontro a Virgem Maria.

Juan lhe pediu desculpas por não ter vindo no dia anterior.

J.D.: "Minha Criança, a mais meiga de minhas filhas, senhora, Deus permita que você esteja contente. Como você está nesta manhã? Está bem de saúde? Senhora e minha Criança. Vou lhe causar um pesar. Sabe, minha Criança, um de Seus servos, está muito doente, meu tio. Ele contraiu uma peste, e está perto de morrer. Eu estou indo depressa à Sua casa no México para chamar um de Seus sacerdotes, querido pelo Nosso Senhor, para ouvir sua confissão e absolvê-lo, porque desde que nós nascemos, aguardamos o trabalho de nossa morte. De forma que, se eu for, retornarei aqui brevemente, então levarei Sua mensagem. Senhora e minha Criança, perdoe-me, seja paciente comigo. Eu não Te enganarei, minha Caçula. Amanhã eu voltarei o mais rápido possível."

Depois de ouvir as palavras de Juan Diego, Ela lhe respondeu:

V.G.: "Ouça e compreenda, filho meu, és o menor, que é que te assusta e te aflige. Não perturbe teu coração, nem com essa nem com nenhuma outra enfermidade, ou angustia. Por acaso não estou aqui eu que sou tua mãe? Não estás debaixo de meu manto? Não sou eu tua saúde? Que mais lhe falta? Não te aflijas com a enfermidade de teu tio, que não morrerá agora, te asseguro que já está curado".

Quando Juan ouviu estas palavras, sentiu-se consolado e contente.

Ela lhe pediu que fosse ver o Bispo, e levasse o sinal e prova que ele havia pedido, para crer.

E Ela lhe disse:

V.G.: "Sobe, meu filhinho, ao cume aonde me viste e lhe dei as primeiras ordens, lá verás que há diferentes rosas de Castilla; corte-as, recolha e em seguida traga-as para mim".

Era mês de dezembro, muito frio, cheio de gelo... não dariam rosas...

Juan Diego subiu sem duvidar, e quando chegou ou cume ficou muito espantado, pois pelas belas rosas que via. Tinham cores vivas e aromas fortes.

Rapidamente começou a colhê-las, e colocando-as em seu "ayate" levou-as até a Virgem.

Ela tomou as rosas em suas mãos e novamente as colocou no oco do ayate de Juan.

Ela lhe disse:

V.G.: "Filhinho, aqui está o sinal, que deves levar para o Sr. Arcebispo. Dirás-lhe, em meu nome, que veja nele minha vontade que tem de ser cumprida. E que tu és o meu embaixador, muito digno de confiança. Rigorosamente te ordeno que só o Arcebispo veja o que tens em sua tilma, e descubra o que levas".

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- Aparição da imagem na "tilma" de Juan Diego (12 de dezembro de 1531, pela manhã).



Quando Juan Diego chegou diante do Arcebispo Frei D. Juan de Zumárraga, e lhe contou com todos os detalhes a quarta aparição da Santíssima Virgem, abriu a sua tilma, para mostrar a ele as flores que caíram do céu.

Neste instante, diante da imensa surpresa do Sr. Arcebispo e de seus contemporâneos, apareceu a imagem da Santíssima Virgem Maria, maravilhosamente pintada com as mais delicadas cores, sobre a tilma de Juan, da mesma maneira que está hoje!

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- A quinta aparição e cura de Juan Bernardino (12 de dezembro de 1531, pela manhã).



No mesmo dia 12 de dezembro, muito rapidamente a Santíssima Virgem, apareceu na casa de Juan Bernardino para curá-lo de sua mortal enfermidade. Seu coração encheu-se de alegria quando ela lhe deu a feliz mensagem de que milagrosamente seu retrato estava na tilma de Juan Diego.

Fonte: Virgem Peregrina da Família